Karmaleão
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melancolia

Ela é a espuma dos dias… Enorme como uma montanha branca. É da cor da ausência e tem a forma, de todos os rostos desconhecidos. Ela é o vazio por dentro do peito, e o saber do vazio. O mundo ao contrário, as lágrimas, com um sorriso nos lábios. Ela é o seu próprio limbo, persistente como uma rocha, porque é feita de uma luz sólida. Uma barreira invisível, presente em todas as noites intermináveis, onde volta uma e outra vez a si, com medo na boca, no olhos, nas mãos… É a vida que se passa além no horizonte. Ausência de verbo, de sonho, e o saber da ausência. Ela aparece sem diluvios e sem gritar o seu nome. É uma teia que constrói na alma, um campo de forças, que esconde dos olhos o poder do real, o poder da escolha. Todos os caminhos do sonho são paralisados, por uma inércia impossivel. A realidade torna-se fictícia, decadente e constrangedora. Só escapa quem consegue abrir os olhos da alma, mas ela é venda negra e forte. Ela é, a não reacção, o contágio, a doença que alastra nos rostos sem sorriso. Ela poderia ser sem dúvida, o quinto cavaleiro do apocalipse… Ela é o senão sem bela, o fruto podre.



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