geometria da banalidade
Os matemáticos reuniram-se com o conselho da republica. Era urgente o controlo da epidemia, que medida no esquadro métrico, ostentava a dimensão de uma catástrofe. Os sintomas eram corações negros e lucidez branca. Identificaram a origem num individuo cinzento que resolveu usar uma gravata amarela. Um acto original que criou uma dor aguda nas pessoas banais, limitadas pela incapacidade de escolha de uma cor. A limitação foi prontamente combatida com imitação, mas algo correu mal. Erraram no tom amarelo e introduziram uma propagação incendiária. Em pânico, pintaram paredes para eliminar a diferença das gravatas estendidas aos corpos, criando ilhas perdidas de homens sem cor onde se ancorar. Pessoas com cores que já ninguém possuia, sofreram solidões até então desconhecidas. Era necessário uma acção correctiva. Os matemáticos pela impossibilidade do retorno à banalidade, decidiram eliminar a diferença pelo excesso da diferença. Maquinaram um plano de luz e sombra na percepção colectiva para que o excesso de cor permitisse o retorno à cor indefinida. As brigadas militares instalaram as máquinas e a diferença epidémica foi eliminada. Os matemáticos receberam medalhas na parada do sucesso, e fecharam o ser original na sala branca do hospital psiquiátrico, com lápis de cor, para estudo posterior.
