o jardim zen
A morte não é um ponto, é uma virgula. Mas no silêncio infinito dos teus olhos, o grito da ideia passa sem ser notado. Já não é o abismo que te perturba, nem a dor ou a fúria de seres frágil, é simplesmente a cor dos olhos fechados. E esse negro, é um ponto de gravidade, que suportas como correntes presas à tua alma. É o insustentável peso de não seres, de não possuíres a crueldade necessária. Incapaz de responderes ao absurdo diário, ao adiamento inexplicável da morte… Já não são os ossos que te seguram, mas as palavras. Palavras como sangue, cor ou fumo. Palavras infinitas como as tuas mãos, que ao toque dos dedos tudo incendeiam por excesso. Quando procuras o sentido, é como procurar pedras no jardim Zen. As tuas mãos queimaram as pedras.
