Vitamina A.mor
Sofia chegou a casa, e abriu a embalagem que o médico tinha receitado. Este novo medicamente iria concerteza ajudá-la a melhorar, a ultrapassar esta doença que a afectava a ela e outros milhões de pessoas pelo mundo fora. A epidemia tinha sido detectada uns anos antes, mas não houve nada que a fizesse parar, e agora afectava a humanidade inteira… Os jornais falavam já da maior epidemia do século XXI, apesar de este ter apenas começado..
Abriu a caixa, que tinha em letras grandes e vermelhas escrito “Vitamina A.mor”, pegou no copo de água, e retirou a capsula da embalagem e tomou-a sem qualquer hesitação. Foi só depois que resolveu ler o folheto de instruções…
«POSOLOGIA:
Tomar uma vez por dia para combater a melancolia.
INDICAÇÕES:
Esta vitamina combate a falta de amor na vida pessoal através do uso de beta-bloqueantes que eliminam uma série de inibidores, nomeadamente:
- Permite-nos sermos amados, sem dispender o esforço de amar de volta.
- Permite-nos sermos amados sem dispender o esforço de nos amarmos a nós próprios.
- Permite-nos amar ideais e fantasias, em vez de pessoas reais.
- Permite-nos sermos passivos, e esperar que o amor aconteça sem nada fazer.
- Permite-nos não termos medo de amar.
SUSBTÂNCIAS ACTIVAS:
- Contém um poderoso beta-bloqueante que inibe nos outros os nossos defeitos e aumenta as nossas qualidades, para combater a nossa falta de auto-estima.
- Contém uma feronoma que força o objecto de desejo a nos amar incondicionalmente e a tomar sempre a iniciativa., para não termos que fazer nada e satisfazer assim os nossos desejos egoístas.
- Contém um poderoso analgésico que inibe em nós o medo de amar, impedindo reacções absurdas para afastar aquilo que mais queremos.
- Contém um alucinogénico que projecta as nossas fantasias em qualquer pessoa, para evitar o trabalho de termos de as conhecer e amar como elas são.
CONTRA-INDICAÇÕES
- Foi detectado em alguns casos reacções adversas, como cegueira, infelicidade e morte.»
Depois de ler o folheto, Sofia achou que o risco valia a pena, desde que o medicamento fizesse efeito rapidamente, porque já não podia viver mais assim. Sentou-se no sofá, e ligou o rádio… Por coincidência ou não, Vitor Espadinha cantarolava… “O amor é uma doença, quando pensamos nele como a nossa cura”
