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O Poema Contínuo…

A morte acesa no rosto de mármore,
ilumina o silêncio branco.
São precisas palavras vivas, obscuras, incendiárias.
Palavras como crimes, violência solar
flores nos escombros do mito antigo
que defendam o mistério
complexo e irreal - imaginário.

É preciso uma luz que atravesse o chumbo
grito de águia que quebre o silêncio
para iluminar as veias da revolução.
O seu código secreto, escrito a sangue
cantará o homem novo,
o hiperbóreo.

*

És a luz branca do milagre,
adiamento impossível do coração
escreves: sangue, tempo, verão
e as tuas mãos dissolvem o nevoeiro
as mesmas mãos, onde irei morrer
e renascer de novo.
Flor nos escombros…

*

A primavera dos sentidos
desponta como marca na pele
afasta a morte invernal,
com os seus dedos frágeis
o sol múltiplo
aceso nos dias de março
os rebentos de chuva
impregnam a terra
e a vida nasce em frutos doces

(o poema contínuo)



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